Eu
estava mais uma vez sentada naquele banco, em um dia frio, com um livro no
colo, olhando para o horizonte, além do rio. Era mais um dia que me sentava
ali. Pessoas vinham e iam, sentavam-se ao meu lado e depois iam embora. Todos
os meus dias eram assim pela manhã. Estava sempre frio, meus olhos estavam
sempre presos no vazio, a angustia estava sempre em meu peito e o esquecimento
de tudo levava embora toda a graça de estar ali. Eu sabia que deveria estar
ali, mas não sabia o porquê. A necessidade de ir todos os dias àquele mesmo
banco, naqueles dias frios, sempre urgia, como se fosse a única coisa útil que
fazia. Essa necessidade era a única que ainda me fazia sentir viva, mesmo
estando tão morta por dentro sentada naquele banco. Após algumas horas eu me levantava
e ia embora dali. Era quando meu coração me falava para despertar, pois já
tinha tido sua cota diária daquele lugar. No dia seguinte, lá estava eu
novamente. Você pode até se perguntar o porquê de eu fazer isso todos os dias,
mas nem eu mesma sei. Eu já não faço mais essas perguntas a minha alma, ela
sabe tudo, controla tudo, mas não fala comigo. Eu apenas sigo seus desejos para
que ela possa para pelo menos um pouco de me afligir. Eu já estou cansada, ela
sabe disso, mas sigo em frente como se nada estivesse acontecendo, como se eu não
precisasse, como seu eu não estivesse mais viva. Vou para casa mais uma vez. Eu
também não me recordo de nada desse lugar. Eu também não sei como consigo
chegar a todos os lugares que minha alma insiste em me levar. Eu sou apenas um
fantoche dela, mas tudo bem. Eu não tenho nada para viver.
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